quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Acenda dentro



Num mundo mutável, onde velocidade parece mais importante que sentido, como adaptar-se? É sabido que a vida, em seu significado poético, cobra movimento constante do homem. Não atualizar-se pode ser sinal de estar sucumbindo. No entanto, tratando-se da relação homem-tecnologia, o que quer dizer "sucumbir"? Seria saudável a obsessão pela atualização? Em nome de que ela é cobrada? Por quem?
O sucumbir, em alguns casos, seria meramente não ter o "glamour" promovido pelas redes sociais online. Pessoas absorvem o virtual como verdade e enchem os olhos com altos números de amigos que nem sequer se inserem em sua vida real. Superficialidade. Ou uma fuga de si mesmo, para as suas não aceitações? Uma pessoa segura teria mais punho na construção de sua personalidade, sem se deixar levar completamente por modas ou convenções.
Se o ditado original diz que "os fins justificam os meios", no mundo cibernético pode-se dizer que os meios otimizem os fins. Uma pessoa que lê jornal diariamente pelo iPad, de acordo com aquilo que foi estigmatizado pela sociedade, vale mais que alguém que "arcaicamente" não abre mão do  impresso. É claro que inteirar-se da melhor forma possível é importante para todos. O blog Aquece Mente não pretende, de forma alguma, tratar a renovação tecnológica somente como uma grande (e põe grande nisso) jogada do mundo capitalista. Ainda que na prática os interesses industriais contem mais que os interesses de cada indivíduo. 
Que o avanço traz inegáveis benefícios é fato: principalmente no que diz respeito a tempo e distância encurtados. Mas concordamos com o professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Eugênio Trivinho, quando ele afirma que "a inclusão digital é uma utopia". Ousamos dizer que toda exclusão é utópica, porque sempre haverão classes excluídas. Mas a inclusão digital tem armas mais fortes para ser assim caracterizada: seu poder de mutabilidade. Sempre existirão, nesse sentido, os "atrasados" ou simplesmente aqueles que não querem (ou não sentem necessidade) de incluir-se. Fazer parte do "Ciber Mundo", acompanhando todas as suas exigências e novidades, importa para quê? Ou para quem? Um idoso interiorano dificilmente estará preocupado em acessar a internet, e o curso de sua vida não mudará por isso. Só temos necessidade de algo que já experimentamos. Aquilo que é desconhecido não tem como fazer falta. Mas não é justo gerações antecessoras de toda essa onda de tecnologia serem desdenhadas pelos "antenados". Todos têm algo a oferecer pro mundo. O resto é casca. Essa sede por atualizar-se pode nos fazer esquecer o que realmente importa: conteúdo.
Somos um "blog sobre tudo", que se dispõe a "acender dentro". A ideia e o pensamento são nossos objetivo, chave e motivação. Se não aquecermos a sua mente, pouco importa o nosso layout ou número de visitantes. Para nós, cada palavra aqui digitada terá sido em vão. A solução para a exclusão digital está na forma como cada um vive a tecnologia. A reflexão que deixamos hoje é a de que não deve haver aparelhagem capaz de “deletar” nossa humanidade. Temos que saber fazer uso dos benefícios oferecidos sem esquecermos que somos de carne e osso. Não levantemos bandeiras socialistas-utópicas contra a modernidade. Mas não sejamos apenas objetos inertes levados por essa onda. Dizia Shakespeare: "controle seus atos, ou eles o controlarão". Vamos viver conscientes a tecnologia, sem permitir que ela nos tire o direito de sermos donos de nós mesmos. Preocupe-se em ser um ser humano moderno, não mais um número dono de um iPhone. Que tudo aquilo que você "beba" na rede lhe faça crescer como pessoa, sem fazer de você um fantoche. Faça o seu. Acenda dentro. Sempre.


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