Num mundo mutável, onde velocidade parece
mais importante que sentido, como adaptar-se? É sabido que a vida, em seu
significado poético, cobra movimento constante do homem. Não atualizar-se pode
ser sinal de estar sucumbindo. No entanto, tratando-se da relação homem-tecnologia,
o que quer dizer "sucumbir"? Seria saudável a obsessão pela
atualização? Em nome de que ela é cobrada? Por quem?
O sucumbir, em alguns casos, seria
meramente não ter o "glamour" promovido pelas redes sociais online.
Pessoas absorvem o virtual como verdade e enchem os olhos com altos números de
amigos que nem sequer se inserem em sua vida real. Superficialidade. Ou uma
fuga de si mesmo, para as suas não aceitações? Uma pessoa segura teria mais
punho na construção de sua personalidade, sem se deixar levar completamente por
modas ou convenções.
Se o ditado original diz que "os fins
justificam os meios", no mundo cibernético pode-se dizer que os meios
otimizem os fins. Uma pessoa que lê jornal diariamente pelo iPad, de acordo com
aquilo que foi estigmatizado pela sociedade, vale mais que alguém que
"arcaicamente" não abre mão do impresso. É claro que
inteirar-se da melhor forma possível é importante para todos. O blog Aquece
Mente não pretende, de forma alguma, tratar a renovação tecnológica somente
como uma grande (e põe grande nisso) jogada do mundo capitalista. Ainda que na
prática os interesses industriais contem mais que os interesses de cada
indivíduo.
Que o avanço traz inegáveis benefícios é
fato: principalmente no que diz respeito a tempo e distância encurtados. Mas concordamos
com o professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP),
Eugênio Trivinho, quando ele afirma que "a inclusão digital é uma
utopia". Ousamos dizer que toda exclusão é utópica, porque sempre haverão
classes excluídas. Mas a inclusão digital tem armas mais fortes para ser assim
caracterizada: seu poder de mutabilidade. Sempre existirão, nesse sentido, os
"atrasados" ou simplesmente aqueles que não querem (ou não sentem
necessidade) de incluir-se. Fazer parte do "Ciber Mundo",
acompanhando todas as suas exigências e novidades, importa para quê? Ou para
quem? Um idoso interiorano dificilmente estará preocupado em acessar a
internet, e o curso de sua vida não mudará por isso. Só temos necessidade de
algo que já experimentamos. Aquilo que é desconhecido não tem como fazer falta.
Mas não é justo gerações antecessoras de toda essa onda de tecnologia serem
desdenhadas pelos "antenados". Todos têm algo a oferecer pro mundo. O
resto é casca. Essa sede por atualizar-se pode nos fazer esquecer o que
realmente importa: conteúdo.
Somos um "blog sobre tudo", que
se dispõe a "acender dentro". A ideia e o pensamento são nossos
objetivo, chave e motivação. Se não aquecermos a sua mente, pouco importa o nosso
layout ou número de visitantes. Para nós, cada palavra aqui digitada terá sido
em vão. A solução para a exclusão digital está na forma como cada um vive a
tecnologia. A reflexão que deixamos hoje é a de que não deve haver aparelhagem capaz
de “deletar” nossa humanidade. Temos que saber fazer uso dos benefícios
oferecidos sem esquecermos que somos de carne e osso. Não levantemos bandeiras
socialistas-utópicas contra a modernidade. Mas não sejamos apenas objetos
inertes levados por essa onda. Dizia Shakespeare: "controle seus atos, ou
eles o controlarão". Vamos viver conscientes a tecnologia, sem permitir
que ela nos tire o direito de sermos donos de nós mesmos. Preocupe-se em ser um ser humano moderno, não mais um número dono de um
iPhone. Que tudo aquilo que você "beba" na rede lhe faça crescer como
pessoa, sem fazer de você um fantoche. Faça o seu. Acenda dentro. Sempre.
